quinta-feira, 5 de junho de 2008

Memória de Flor


MEMÓRIA DE FLOR



Contemplo e respiro uma flor;
Vem-me à memória o perfume do amor.
E logo se avoluma a tentação de aprofundar
Os meandros da flor
E do amor.

Uma flor é uma flor.
Pedúnculo, cálice e corola
Sépalas e pétalas
Androceu e gineceu.

E o amor?
O amor é o amor.
E mais não sei dizer.
Sei que viver sem amor não é viver.
Faz lembrar o estertor da morte antes do tempo aprazado.

Se muito amei muito mais teria amado
Se a vida me tivesse consentido
Manifestar todo o amor sentido.

Segurei o pedúnculo do amor e fiz dele uma bandeira,
Um arauto para a vida inteira.

Das sépalas do amor fiz o meu cálice de amargura e de prazer
Das pétalas coloridas alimento,
Meu sustento,
Meu modo de sentir e de viver.

Androceu
De estames assanhados
Vou emitindo ao gineceu
Os meus recados
Para não sucumbir neste vale de lágrimas reprimido
Neste mar encalhado
À espera do melhor:
Do amor ainda não vivido.

Será o amor este perene desejo
Que transforma uma carícia
Um beijo
A mais leve blandícia
Em fonte de doçura e comunhão?

Talvez sim… talvez não…

Será o amor
Este movimento
Ora lento
Ora apressado
Este bater compassado
Do berço à sepultura
Entre o ódio e a ternura
Deste nosso humano coração?

Talvez sim… talvez não…



André Moa

3 comentários:

Célia Ribeiro disse...

São Rosas meu bem são rosas...

Olá Dad
Neste fim de semana percebi mais uma vez o quanto o mundo é pequeno. Em conversa acabei por saber que está no coro onde está uma prima minha, A Isabel (lourinha, muito amiga da Paula).
Estas flores são de uma grande sensibilidade, estão lá só por acaso.
beijinhos
Célia

Miryam Jon disse...

Gosto muito de vários quadros seus.
Engraçado, descobri há pouco tempo por acaso, o seu blog, porque costumo ver muitos sobre pintura e outras artes.
Parabéns.
Gostava que também desse uma vista de olhos aos meus, que são:
http//www.omeumeninodeoiro@blogspot.com

Bruno Carvalho disse...

Olá! Pinturas lindas! Gosto!
Obrigado pelo comentário!
Um beijinho!